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A menina de caracóis

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa

A menina de caracóis

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa

Em recuperação...

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A tarde de Segunda-feira (31 de Agosto), foi um bocado complicada para esta menina. Para ela, já não é fácil passar 5 minutos que sejam numa clínica veterinária, quanto mais passar muitas horas seguidas ou uma tarde inteira, como foi o caso. Sempre que ela se apercebe que vai para a clínica, começa a tremer, a ficar agitada, a andar de um lado para o outro meia desorientada. Enfim, o pânico é tanto que chega mesmo a ficar com febre. Desta vez, também não foi excepção, acho até que foi pior, talvez por sentir a nossa preocupação, o nosso medo. Tudo começou mais ou menos à três semanas, depois de uma bela caminhada às 7 horas da manhã. Enquanto estava a fazer-lhe a higiene, ao escová-la apercebi-me de um caroço na coxa da pata esquerda. Primeiro pensei que seria apenas impressão minha, que não era o que eu estava a pensar mas depois de verificar melhor, vi que realmente estava ali qualquer coisa diferente. Algo que não era suposto estar ali, que não estava preso à pele, não estava em ferida, não estava negro, não parecia ser picada de bicho e pior, era algo que não doía ao toque. Como devem calcular entrei em pânico. Ouvimos tanta coisa sobre caroços que imediatamente me passaram milhões de coisas pela cabeça. Naquele momento, estando eu sozinha em casa fiquei sem saber o que fazer, sem reacção e com os olhos fixos na menina e ela em mim, como se estivessemos a ter uma conversa só com olhar. Não me recordo ao certo quanto tempo ficamos assim mas uma coisa é certa, sendo ela uma cadelinha extremamente inteligente apercebeu-se do pânico que ía dentro de mim, no meu olhar. Tanto que, passado algum tempo ela latiu baixinho como que a dizer-me que estava tudo bem, para não me preocupar. Claro que durante toda a manhã aquilo não me saiu mais da cabeça e depois de almoço lá fomos nós a correr para a clinica veterinária. Na primeira consulta, o veterinário tranquilizou-nos dizendo que com a medicação prescrita o caroço iria desaparecer, que não era nada de grave mas para estarmos atentos a qualquer alteração. Caso o caroço aumentasse para o contactarmos de imediato. Isso sim, era grave. Apesar de tudo, a consulta correu bem mas mesmo assim não saí muito convencida de lá, não me perguntem o porquê. Passado oito dias lá estavamos nós outra vez. Tudo na mesma, sem qualquer alteração, só o facto de não ter aumentado me consolava um bocado. Na segunda consulta, o veterinário disse que era melhor remover. Se fosse inflamatório já teria desaparecido ou pelo menos estaria mais pequeno e visto que era algo estranho que estava dentro dela, podendo este ser bom ou mau, não convinha arriscar. Assim aconteceu, na Segunda-feira, depois de efectuados todos os exames necessários, a cirurgia foi realizada com sucesso. Claro que, todas as cirurgias com anestesia geral têm os seus riscos mas o importante é que a nossa menina está bem. No mesmo dia veio para casa, super bem disposta, como sempre. À saída do carro, ainda quis caminhar um bocadinho antes de entrar em casa e depois de um pequeno regime regalou-se com a comidinha que lhe demos. Por enquanto, não tem é muita vontade de brincar de resto, faz tudo normalmente, com as devidas precauções. Quanto ao nódulo retirado, foi para análise. O veterinário disse para não nos preocuparmos porque como não tinha mau aspecto, não tinha raizes, nem estava ligado a nada, tem tudo para correr bem. Nem imaginam o alívio que foi ouvir isto do médico. 

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